Por detrás de cada peça artesanal existe uma história e, neste caso, é uma história de resiliência, talento e dedicação à arte.
Maria Cristina Borges, a criadora das bases de copo em azulejo que agora passam a fazer parte da nossa loja, traz consigo um percurso profundamente inspirador. Natural de Angola, chegou aos Açores como refugiada de guerra, trazendo não apenas memórias difíceis, mas também uma vocação clara ensinar e criar. Em São Miguel, encontrou o espaço para retomar a sua missão como professora de Educação Visual, Desenho, Educação Tecnológica e Trabalhos Oficinais, áreas onde sempre procurou despertar a criatividade e o saber fazer.

Mas o seu contributo vai muito além da sala de aula.
Enquanto cidadã ativa, envolveu se em diversos projetos de cariz social e solidário, colaborando com instituições na área da reabilitação psicossocial. A sua ligação ao artesanato tornou-se também uma forma de impacto comunitário, sendo fundadora de uma Associação de Artesãos e membro da Federação Portuguesa de Artes e Ofícios, contribuindo para a valorização e preservação das tradições.
Ao longo do seu percurso, participou em inúmeras feiras de artesanato a nível regional e nacional, levando ainda mais longe o nome dos Açores ao representar a região em eventos nos Estados Unidos, Canadá e França. O seu trabalho reflete não só técnica, mas também identidade cultural e partilha. Detentora de Carta de Artesã e responsável por uma Unidade Produtiva Artesanal, domina várias áreas do artesanato e é também Formadora Certificada, transmitindo o seu conhecimento a novas gerações.
O processo onde a arte ganha forma é totalmente manual e revela o cuidado presente em cada peça.
A criação começa com azulejo vidrado cru. Antes de qualquer intervenção, cada peça é cuidadosamente lixada em todos os lados, garantindo um acabamento mais suave e uniforme. Segue se a fase mais expressiva, a pintura livre, onde a artesã aplica pigmentos cerâmicos de várias cores, dando vida a composições únicas, sendo que nenhuma peça é exatamente igual à outra.
Depois de pintados, os azulejos são levados ao forno cerâmico, conhecido como mufla, onde são cozidos a temperaturas que podem atingir ou ultrapassar os 1000 graus centígrados, em função das cores utilizadas. Este processo exige precisão e experiência, pois o calor transforma e fixa os pigmentos na superfície.
Entre a cozedura e o arrefecimento podem decorrer cerca de 12 horas, um tempo de espera que faz parte da essência do trabalho artesanal.
Mais do que técnica e materiais, há algo que atravessa todas as etapas a dedicação. Em cada peça, a artesã entrega não só o seu saber, mas também muito amor e uma ligação profunda ao que cria.
A chegada destas peças marca também um novo passo para a nossa loja. Com o objetivo de valorizar o artesanato local e dar visibilidade ao talento existente em São Miguel, começamos agora a integrar e a comercializar produtos de artesãos da ilha. Esta coleção surge como parte dessa iniciativa, aproximando quem cria de quem valoriza o feito à mão.
As bases de copo em azulejo são, assim, mais do que simples objetos decorativos. São o resultado de um percurso de vida, de uma prática artesanal consciente e de um compromisso com a valorização da arte local.

Num mundo dominado pela produção em massa, estas peças afirmam o valor do tempo, da autenticidade e do trabalho feito à mão, celebrando a arte, a cultura e as histórias que merecem ser contadas.
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